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Música, Atitude, Cultura e Informação!

Obrigado!

Em 17/04/2010

Quando chega a noite
Ou será de manha?
Sinto a quietude da estatueta de Buda
Que medita ao meu lado.
Toda essa paz toma conta de mim.
A quem devo tanta gratidão?
É tão bom viver aqui dentro de mim!
Nessa hora tudo faz pleno sentido.
O dia é tão corrido.
E agora é tudo tão bom e lento.
Corro atrás do que amo
Corro atrás de quem sou
Me canso,
Mas é aquele cansaço que vale a pena, sabe?
O cansaço grato!
Sensação de liberdade suprema.
Será o fim? O inicio? O meio?
Então me deito, olho pro teto
E agradeço por ele me cobrir.
Como tem gente que pensa que deus não existe?
Meu deus, como?
É só olhar pra si e verás!
Verás o outro você: ele!
Obrigado também pelo alimento
Que vira eu no fim!
E obrigado também pelo fim meu deus,
Obrigado!



Categoria: Vida

Medite pensando!

Em 23/02/2010

Já falei sobre meditação e sobre a minha experiência em meditar no post: “Comece a meditar agora (passo a passo)!”.
Hoje o foco é um pouco diferente, porque na verdade nunca me identifiquei muito quando falam que meditação é “parar de pensar”. Já percebi que quando as pessoas escutam isso elas acabam criando um afastamento ainda maior da meditação, afinal parar de pensar ou ficar sem pensar parece muito distante da nossa realidade. Já escutei pessoas falando assim:
- Poxa, mas se eu tentar ficar sem pensar eu vou continuar pensando nisso! Pois é, por isso resolvi escrever mais esse post sobre meditação.
O primeiro e o segundo passo continuam iguais ao post anterior:
1. Sente-se no chão, com a coluna ereta, de pernas cruzadas da maneira mais confortável possível. Feche os olhos.
2. Escolha um mantra que você goste para recitar, não precisa ser em voz alta! O mantra pode ser o famoso: “Ohm”.
A primeira dica é: se concentre apenas na recitação do mantra e continue recitando (pode ser só mentalmente) o maior tempo possível. Se outros pensamentos vierem não tem problema, mas volte a se concentrar no mantra, não se preocupe com seu pensamento.
O bacana desse post é o seguinte: percebi que depois de um tempo recitando o mantra, da a impressão que a poeira da mente baixa e a visão das idéias ficam mais claras, é incrível. Existe estudos científicos que comprovam que o estado meditativo é muito criativo, muitas grandes idéias e insights despertam da meditação. Eu já tive experiências assim.
Muitas vezes quando estou passando por momentos mais difíceis na vida, de transição ou quando tenho que tomar uma decisão muito importante, eu sempre sento pra meditar e faço exatamente como expliquei acima. Pra mim funciona muito. Eu não pratico o exercício de não pensar, pelo contrario, me concentro no mantra e deixo minhas idéias fluírem.
Às vezes tenho a impressão que entro num grande túnel do pensamento com uma velocidade infinitamente veloz. As idéias parecem que ficam desobstruídas. Mas é claro q isso não acontece nos primeiros minutos de prática.
Pratique você também, te garanto que é milhares de vezes melhor que ficar virando de um lado pro outro na cama precisando tomar alguma decisão, ou tentando solucionar algum problema.

Categoria: Atitude Vida

Agora, toda semana preparo um programa pra você!

Em 22/02/2010

Olá a todos! A partir desse domingo que passou teremos aqui no blog um programa semanal! To bem animado e fiquei muito satisfeito com o primeiro resultado (vídeo abaixo)!
A idéia é fazer como um programa de televisão! Vou apresentar as idéias gerais e depois seguem as matérias.
O foco é sempre o mesmo: música, cultura, informação e atitude! Vou sempre falar de coisas positivas: boa música, novas tecnologias, ecologia, arte, consciência, meditação, enfim, só coisas bacanas pra fazer nossa vida mais saudável, mais alegre, pra gente viver melhor, em paz!
Reserve apenas 10 minutinhos da sua semana e curta o programa!
Deixe seu comentário, mande suas idéias para o próximo programa! Vou adorar recebe-las!
Um abraço de paz!

Comece a meditar agora (passo a passo)! Você pode! É fácil!

Em 27/01/2010

Meditação passo a passo:

  1. Sente-se no chão, com a coluna ereta, de pernas cruzadas da maneira mais confortável possível. Feche os olhos.
  2. Escolha um mantra que você goste para recitar, não precisa ser em voz alta!
  3. Deixe os apegos e as aversões, pratique a equanimidade, não reaja!
  4. Sinta o gostinho da verdadeira felicidade!

Leia abaixo e entenda como isso realmente funciona!

A minha vida mudou depois que comecei a meditar. No começo eu precisava me esforçar, agora não vivo sem. Depois de muitos anos praticando a meditação resolvi fazer esse post pra poder ajudar outras pessoas que tem vontade de começar, mas ainda acham a meditação algo complicado. Garanto: meditar é muito simples!
No ano passado eu fiz uma prática de meditação de 11 dias com voto de silencio. Foi uma oportunidade incrível. Com o tempo e com a prática eu pude compreender o verdadeiro significado da meditação para mim e agora me sinto seguro para falar sobre ela. Nesse post vou ensinar você como começar e o porque de praticar a meditação.
Acompanhe o raciocínio (breve introdução).
O objetivo da meditação é o auto conhecimento, se nos conhecemos mais sofremos menos e assim sentimos mais o gostinho da verdadeira felicidade.
Há milhares de anos atrás nosso querido Buda resolveu sentar-se embaixo de uma árvore e disse que só sairia de lá depois que encontrasse a raiz do sofrimento humano. Depois de meses meditando ele encontrou: o sofrimento humano sempre nasce do apego e/ou da aversão. Isso é fácil de entender. Pense, apego aos familiares (pais, filhos, irmãos); apego à vida, apego ao trabalho, apego as minhas idéias, apego ao corpo, apego ao dinheiro, etc. Tudo isso de alguma maneira gera o sofrimento. O mesmo acontece com a aversão: aversão a alguém que me incomoda muito, aversão a uma situação que não suporto, aversão ao trabalho, aversão ao chefe, aversão ao clima quente ou frio, aversão à morte, etc. Toda aversão também gera sofrimento inevitável.
Então o que fazer?
A meditação nada mais é que praticar o desapego e a não aversão. Isso chamamos de equanimidade, que é o equilíbrio: o segredo da felicidade.

Como praticar a equanimidade?
Exercitamos a equanimidade com a prática da não reação. É simples!
Sente-se no chão, com a coluna ereta, de pernas cruzadas da maneira mais confortável possível. Feche os olhos. Depois de 10 segundos sua perna vai começar a coçar, não coce, lembre-se que precisamos exercitar a não reação, a equanimidade é o exercício do desapego, não se apegue a coceira, deixa ela ir embora. Depois de poucos segundos você vai pensar: que besteira isso tudo, tenho mais o que fazer, lembre-se, isso é aversão, não deixe a aversão te dominar, deixe ela ir embora também, não reaja. Depois de poucos segundos um mosquito vai passar ou uma mosca vai pousar em você, lembre-se que o exercício é não reagir, não crie aversão à mosca, seja equânime, permaneça imóvel, em pleno silencio, o único objetivo aqui é a não reação. Depois de 1 minuto sua perna vai começar a doer, deixe a dor ir embora, não reaja, continue meditando. Se você conseguir ficar alguns bons minutos fazendo essa prática, logo vem à recompensa: uma sensação muito prazerosa de quietude e calma. Não se prenda a ela, lembre-se que estamos praticando o desapego, o prazer também é efêmero, deixe o prazer também ir embora.
O exercício da não reação é o exercício da equanimidade.

Ser equânime é aprender a se desprender tanto do apego quanto da aversão. Quando realmente conseguimos desapegar e conseguimos não criar aversão experimentamos o gostinho da verdadeira felicidade. Depois que criamos o hábito de meditar, a equanimidade passa a ser algo mais natural e assim suportamos muito mais as dificuldades do dia-a-dia.
Quando perdemos algo que gostamos, na hora praticamos o desapego, exatamente a mesma prática que tanto exercitamos na meditação e naturalmente sofremos menos. Quando alguém nos fecha no transito, muito antes de xingarmos o próximo, exercitamos a não reação, que é a não aversão, exatamente o que praticamos na meditação.
Com a meditação você vai se tornar uma pessoa muito mais flexível, muito mais compreensiva, muito mais amorosa, ou seja, muito mais feliz.
Viu só, não tem nada de complicado na meditação. Esqueça aquela idéia que meditar é se livrar dos pensamentos, isso parece tão distante da nossa realidade.
Comece já, feche os olhos, não reaja, seja equânime e sinta a gostinho da verdadeira felicidade!

Categoria: Atitude Informaçao Vida

A raiz do sofrimento humano

Em 23/06/2009

No post do dia 18 de maio (Eu também comi o pão que o Buda amassou) postei um texto relatando a experiência de uma monja em um retiro espiritual Zen Budista. Nesse mesmo post eu comentei que também havia participado de um retiro de 10 dias, totalizando 100 horas de meditação, com voto de silêncio. Nessa minha experiência eu aprendi algo muito importante que gostaria de compartilhar com vocês.
Há aproximadamente 2 500 anos, Buda mergulhou em meditação, abaixo de uma árvore, até entender a razão do sofrimento humano. Ele concluiu que o sofrimento vem basicamente de duas fontes: o apego e a aversão. Já tinham pensado nisso?
Por exemplo: adoro meu namorado, sem ele não me sinto completa (apego). Pronto, no primeiro domingo que tem futebol com os amigos já é razão para sofrer. Outro exemplo: não suporto essa menina, é só ela chegar perto que já me provoca sensação ruim (aversão). Pronto, já começo a sofrer.
O que mais exercitei nesse retiro espiritual foi a equanimidade, ou seja, não reagir com apego, nem aversão, simplesmente ser equânime.
Você pode estar pensando: mas como aprender a ser equânime com a meditação?

buddha02

Quando meditamos estamos a todo tempo exercitando a equanimidade.
Exemplo: quando conseguimos parar com a correria do nosso dia, sentar com a coluna ereta e então praticar a meditação, nossa mente não para, ficamos inquietos e logo pensamos: não consigo meditar, minha mente não cessa, isso não vai adiantar nada, to perdendo tempo! Nesse momento tomamos consciência que começamos a criar aversão. A equanimidade começa exatamente no momento que simplesmente deixamos esses pensamentos irem embora. Sem reagir, continuamos a meditar.
Mas o contrário também pode acontecer: que delícia meditar, o mundo lá fora é tão caótico, não combina comigo, meu chefe é chato, aqui sim é tranqüilo, é bom, aqui eu tenho paz.
Nesse momento tomamos consciência que começamos a criar apego. Fazemos o mesmo. Sem reagir, continuamos a meditar.
Muito interessante, não?
Agora você pode estar pensando: mas que monótono viver assim sem reagir!
Demorei um tempo para entender a diferença entre monotonia e equanimidade. A diferença é que ser equânime não é deixar de desfrutar os prazeres da vida, ser equânime é desfrutar sem se apegar ou criar aversão.
Por exemplo: em um domingo lindo de sol, desde o início do dia já estou trabalhando a idéia de que o lindo dia também vai terminar, que o sol vai se por e a segunda-feira árdua vai chegar. Assim quando o dia acaba está tudo bem, e quando chega segunda-feira de manhã e está na hora de levantar, está tudo bem também.
Entendeu a diferença?
Assim podemos exercitar a vida e então, sofrer menos.
Agora começamos a entender que meditar não é apenas sentar com a coluna ereta. Podemos estar atentos, conscientes e em meditação a todo tempo.
Agora que você já compreendeu, se quiser, pode começar a praticar!
Que todos os seres sejam felizes!


Eu também comi o pão que o Buda amassou.

Em 18/05/2009

*Amanhã postarei o vídeo do show em Brasília! ;)

No ano passado eu participei de um retiro espiritual por 10 dias, meditando 10 horas por dia, com voto de silêncio. Sim, isso mesmo, sem poder conversar.
A pena é que no meu currículo não cabe nem vale colocar 100 horas de meditação. Mas se eu fosse o patrão, na hora de contratar, daria grande valor para uma vivência como essa.
Não vou, ainda, contar minha experiência nesse retiro pra vocês, mas me identifiquei muuuito com a experiência da Nic (texto abaixo), uma monja que relata 4 dias num retiro Zen Budista.
O texto é incrível, vale muito a pena ler. Se você já vivenciou algo parecido vai se identificar e até morrer de rir, se ainda não vivenciou, é uma grande oportunidade de imaginar essa bela e árdua experiência.

4 dias num retiro Zen Budista

Não foram 4 dias maravilhosos. Não foram. Foram dias áridos, secos e de muitos, mas muitos diálogos internos. Eu comi o pão que Buda amassou.

No Zen Budismo não se faz meditação. Se faz “zazen”. Zazen, literalmente, significa sentar Zen. O objetivo do zazen é simplesmente sentar. Sentar completamente alerta, sem se apegar aos pensamentos. “Abra mão dos pensamentos”, Monja Coen dizia. “Não converse”.
Foram 10 zazens por dia de 30 e 40 minutos cada. Eu disse DEZ. Cerca de 6 horas de zazen por dia. Em vários momentos eu xinguei Buda. Sim, eu xinguei. Xinguei a mãe, a minha e a dos outros. E a de Buda também.
Conclusão a que cheguei no 1° dia: O que eu tô fazendo aqui??

O 1° dia foi como um tratamento de choque. Eu me senti como uma drogada em processo de desintoxicação. E eu estava ali me desintoxicando dos meus pensamentos, da minha forma de pensar. Confesso que um dia antes de ir ao retiro eu pensei em desistir. “Sensei, então, não vai dar pra ir. Tenho muita coisa pra fazer aqui, sabe como é…”. Vou, não vou, vou, não vou. Vou. Fui.
A nossa mente é uma coisa. Tão complexa, tão intrincada, que será eternamente um objeto de estudo da ciência. Somos seres condicionados. Desde sempre condicionados. Viciados em pensar. Viciados em pensamentos dicotômicos. Isso é feio, isso é bonito, ela é inteligente, ela é burra, ele é gordo, ele é magro, eu tô triste, eu tô alegre, minha vida é boa, minha vida é ruim, eu queria ser assim, mas eu não sou assim, eu queria que minha vida fosse assim, eu queria que minha vida fosse assado, se eu tivesse feito isso eu teria mudado minha vida, seu tivesse falado aquilo naquela hora, se isso, se aquilo, se nao isso, se não aquilo se se se se se sesesesesese blá blá blá aaahhh. É uma forma de pensar exaustiva. Somos grandes auto-sabotadores. Todos os 3 dias de retiro eu pensei: “Hoje eu vou embora. Vou dizer pra Sensei que minha mãe ligou ou dizer que aconteceu um imprevisto e terei que sair antes, isso, aconteceu um imprevisto é uma excelente frase, sem explicações, simplesmente um imprevisto, ok”.
No 2° dia a rejeição foi tamanha que eu gripei. Gripe braba mesmo. Desintoxicando. Bom, tudo bem que nos dias anteriores eu dormi tarde, acordei cedo, trabalhei, dei várias aulas, pensei loucamente em todas as coisas do meu mundinho, gastei uma energia impressionante apenas pensando. E lá no retiro tudo veio à tona, sem falar que era muito exaustivo física e mentalmente. “Vou dizer pra Sensei que a gripe tá atrapalhando meu retiro e que vou embora depois do almoço, isso, vou fazer isso. Eu podia estar tomando um café na Livraria da Vila, não, eu podia estar lendo aquele livro que tá ótimo, isso, vou embora hoje”.
Um detalhe: o zazen é feito de frente pra parede com os olhos semi-abertos. E não há objeto de concentração. Simplesmente sentar. Ser você. Estar conectado com tudo. Estar alerta. Não agarrar os pensamentos. Ser. Apenas Ser. Ah, Beleza! Só isso? Tá bom, vamos lá. Lá pelo 5° zazen do dia eu já chegava xingando a parede. Já sentava sabendo que vinha chumbo grosso nos próximos 30 minutos de zazen. Mas chumbo grosso mesmo. Chumbo grosso da minha mente. Eu fui minha carrasca mais sádica no retiro. Eu não me deixei em paz. Eu questionei tudo e todos. Eu joguei na minha cara tudo o que eu podia, culpei todos por várias coisas, tive sentimentos nada altruístas, pensamentos nada búdicos. Usei das armadilhas mais criativas pra sabotar o zazen de cada dia. Eu sabotei todos os meus zazens até o 3° dia. “Bom, vou fazer o mantra om pra minha mente calar a boca, sempre funciona. Om om om ommm esse sino não vai tocar, não? Encerra logo esse zazeeeennn”. Om om om ommm blá blá blá. TOCA ESSE SINO, PÔ!
Entre um zazen e outro tivemos práticas de Yoga. Ufa. A monja Coen me convidou para dar as práticas. Foi uma honra. Um convite irrecusável… participar do retiro da Sensei no seu templo no Pacaembu e dar as aulas de Yoga. Jamais eu recusaria. “Sensei, aconteceu realmente um imprevisto, vou ter que ir embora. É, pois é, uma pena, uma pena mesmo, mas terei que sair. Mas e o meu compromisso com a Sensei de dar as práticas de Yoga? E agora? Mas eu tô gripada, ninguém merece 10 zazens por dia (é, DEZ) com essa gripe. Vou embora hoje”.
Mais um zazen, ô parede IN-SU-POR-TÁ-VEL. Blá blá blá blá blááá. Sino, please. Sinooooo. Buda, você me paga, te pego lá fora. Ardilosa, a mente tentava de tudo que era jeito se manter no comando como ela sempre fez, falando, falando, falaaaando. Ai, tô com vontade de gritar, de chorar, quero mexer minha perna, ai minhas costas, maldita dor no meio das costas. Ainda faltam 2 dias dias. Caramba, 2 dias. O que significa mais 25 zazens, contando com as que restam hoje. Om om om, blá blá blá. Toca o sino, que inferno.
Imagine que no dia anterior sua vida está assim: %$%%$$$@@#####*&¨%%%@@%&&*&****$$##**. E no dia seguinte tem que lidar com a vida assim: ……………………………………. Imagine que no dia anterior a trilha sonora da sua vida é The Chemical Brothers no último volume. No outro dia é silêncio e nada mais do que o silêncio. Pois é. E a trilha sonora da minha mente me detonou.
Não era pra conversar com os outros participantes. Mas a mente sabotadora obviamente puxava conversinha. Johnny, você vai ficar o retiro todo? Vou, Nic, vou ficar até 3a. feira. E voce? Eu também. Huhauahaua!
3° dia
Mais gripe. Mais piração, diálogos internos infernais, auto-sabotagem. Ensabota, mulata, ensabota, ensabota, tô me ensabotaaaaando! Om om om om sino sino sino dor dor dor dor vou embora vou embora vou embora. E esse cara do meu lado que nao se mexe, eu hein, só eu me mexo? Só eu não consigo ficar imóvel?? Blá blá blá dói dói dói. Parede, vê se não me enche. Om om om. Nariz escorrendo, espirros incessantes, olhos lacrimejando, parede, parede, parede. Eita, olha um elefante na parede. Caramba, isso parece uma rã com olhos arregalados, isso eu não sei o que é, mas parece um alienígena, sei lá, hummm aqui é um cachorro com focinho grande, isso eu não consigo identificar, bem que podia fazer um personagem de quadrinho com essa imagem, caramba, nunca vi essas imagens antes e a parede tá cheia delas, podiam ser personagens de desenhos! Blein, blein, blein! Ufa, almoço.

4° dia
Algo aconteceu. Eu pensei tanto, mas tanto, que acho que esgotei todos, quer dizer, quase todos, os pensamentos. 1° zazen do dia…aaahhhhh, que maravilha. Mente quieta, coluna ereta, o coração tranquilo. Oi, parede. Te amo! Buda, você é tudo. Aiai silêncio ……………………………………. nossa, mas se eu não pensar, eu vou fazer o que então? Quase não tô pensando… mas seu eu não pensar eu vou ser o que, eu vou fazer o que? “Abra mão dos pensamentos”. Nenhum om sequer. Nada… ai que gostoso …………………………………. é isso, é isso! Simplesmente Ser, estar, sem julgar, sem comparar, sem questionar, sem objeto de concentração, sem me sabotar, sem me culpar, sem achar que sou isso ou sou aquilo …………………………………. 2° zazen: aiai ……………………………………. 3° e ultimo zazen do retiro: ………………………………………. que maravilha, que retiro maravilhoso, por que a gente sofre tanto com os nossos pensamentos? Pra onde eles nos levam, o que conseguimos pensando tanto, pra que? Por que nos identificamos tanto com os nossos pensamentos? Por que nao conseguimos simplesmente Ser? ……………………………………………………………………………………………………..
Fim do retiro
Chorei muito. Chorei de alívio por ter acabado, por eu ter sobrevivido, mas por eu ter conseguido por alguns instantes apaziguar a mente… ou será que foi ela por si só que se apaziguou? Chorei por eu ter conseguido abrir mão, por poucos momentos que fossem, dos meus pensamentos. Eu consegui não agarrar meus pensamentos. Obrigada, muito obrigada. Tudo é tão mais simples, a gente cria tantos monstros desnecessariamente. Ser, simplesmente Ser. Nossa. Obrigada. Obrigada. Obrigada.
Saí do retiro num estado tal que só quando cheguei em casa me dei conta de que meu amado all star branco, companheiro de todos os dias, não estava em meus pés, ele tinha ficado no retiro. Humm, que havaiana bonita essa…peraí, mas essa havaiana nem é minha! hahaha
Agora é que vem o grande desafio. Cultivar o zazen sozinha, sem a Sangha, sem o grupo. Sentar. Ser. Simplesmente sentar e Ser. Um pouco todo dia, um sádhana, uma prática. Só sentar. De frente para a parede. Simples assim, difícil assim. Transformardor assim.
“Que os méritos de nossa prática se estendam a todos os seres e que possamos todos nos tornar o Caminho Iluminado”.

Categoria: Atitude Vida

Somos tão apegados!

Em 14/05/2009

Somos tão apegados. Nos apegamos a coisas materiais tão bobas, mas que juramos que são tão importantes para nós, mas no fundo sabemos que não são. Nos apegamos as pessoas. Nos apegamos aos familiares. Nos apegamos até ao nosso trabalho (alguns). Nos apegamos as coisas que nos proporcionam prazer, isso nos apegamos muito, mas estamos carecas de saber que essas coisas não duram quase nada, mas insistimos em sofrer quando as perdemos.
Se já percebemos que essas coisas não duram, então porque continuamos apegados? Será porque nossa memória é curta? Não sei… Só sei que o ser-humano é um ser-apegado.
E como mudar? Tem gente que não pensa nisso e acha isso tudo uma grande bobagem. Eu não, eu penso muito sobre isso, eu medito sobre a impermanencia dessa nossa vida. Não é difícil perceber que tudo é impermanente, pra começar, tudo que nasce está fadado à morte. É sofrido meditar sobre a morte, mas se fizermos entramos numa nova etapa, a etapa do desapego. E praticar o desapego é estar mais próximo da felicidade.
Já parou pra pensar que boa parte do sofrimento humano vem do apego ou da aversão. Por exemplo: adoro você, me sinto muito bem ao seu lado, então me apego a você. Quando perco você, pronto, começo a sofrer. Agora imagine o contrário: não suporto você, você me faz mal, só a sua presença me sufoca, pronto, começo a sofrer.
Quero deixar claro que exercitar o desapego não é vir a ser um morto-vivo que não gosta nem desgosta de nada. Desapegar é ter consciência da impermanencia e lembrar sempre dela. Então, quando eu estou com alguém que me faz bem eu procuro sempre lembrar que não é possível estar sempre ao lado dessa pessoa, então já começo a trabalhar o desapego, assim sofro menos a separação. Tem gente que pensa que isso é pessimismo, nada disso, isso é consciência. Podemos exercitar igualmente quando estamos perto de alguém que não gostamos, meditamos na idéia de que logo aquilo passará, que é impermanente, pronto, aquilo já passou e não sofremos, ou sofremos bem menos. Nada simples, mas muito importante pensar. Essa é a idéia!

pessoa-apegada

Categoria: Atitude Vida

Silêncio…

Em 06/05/2009

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*Foto de uma obra plástica que fiz logo após um trabalho espiritual.

O silêncio para mim muitas vezes pareceu como uma gilete cortante, uma terra rachando, ou mesmo um peito rasgando.
Para entender melhor o silêncio aprendi a meditar.
Meditar é suportar o silêncio, em silêncio.
Meditar é simplesmente observar sem reagir.
No início queremos mudar de lado, coçar a cabeça, mas depois aprendemos que não adianta reagir a essas vontades, porque depois de coçar e mudar de posição você inevitavelmente descobre que o silêncio não mudou.
Assim também é a vida.
Esse é um dos primeiros grandes ensinamentos da meditação.
A reação é a não ação.
Talvez por isso a maior ação de Gandhi em vida foi a não reação.
Silencie que eu tenho certeza que você vai entender.

Categoria: Atitude Vida

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