claudinhobrasil.com

Música, Atitude, Cultura e Informação!

A raiz do sofrimento humano

Em 23/06/2009

No post do dia 18 de maio (Eu também comi o pão que o Buda amassou) postei um texto relatando a experiência de uma monja em um retiro espiritual Zen Budista. Nesse mesmo post eu comentei que também havia participado de um retiro de 10 dias, totalizando 100 horas de meditação, com voto de silêncio. Nessa minha experiência eu aprendi algo muito importante que gostaria de compartilhar com vocês.
Há aproximadamente 2 500 anos, Buda mergulhou em meditação, abaixo de uma árvore, até entender a razão do sofrimento humano. Ele concluiu que o sofrimento vem basicamente de duas fontes: o apego e a aversão. Já tinham pensado nisso?
Por exemplo: adoro meu namorado, sem ele não me sinto completa (apego). Pronto, no primeiro domingo que tem futebol com os amigos já é razão para sofrer. Outro exemplo: não suporto essa menina, é só ela chegar perto que já me provoca sensação ruim (aversão). Pronto, já começo a sofrer.
O que mais exercitei nesse retiro espiritual foi a equanimidade, ou seja, não reagir com apego, nem aversão, simplesmente ser equânime.
Você pode estar pensando: mas como aprender a ser equânime com a meditação?

buddha02

Quando meditamos estamos a todo tempo exercitando a equanimidade.
Exemplo: quando conseguimos parar com a correria do nosso dia, sentar com a coluna ereta e então praticar a meditação, nossa mente não para, ficamos inquietos e logo pensamos: não consigo meditar, minha mente não cessa, isso não vai adiantar nada, to perdendo tempo! Nesse momento tomamos consciência que começamos a criar aversão. A equanimidade começa exatamente no momento que simplesmente deixamos esses pensamentos irem embora. Sem reagir, continuamos a meditar.
Mas o contrário também pode acontecer: que delícia meditar, o mundo lá fora é tão caótico, não combina comigo, meu chefe é chato, aqui sim é tranqüilo, é bom, aqui eu tenho paz.
Nesse momento tomamos consciência que começamos a criar apego. Fazemos o mesmo. Sem reagir, continuamos a meditar.
Muito interessante, não?
Agora você pode estar pensando: mas que monótono viver assim sem reagir!
Demorei um tempo para entender a diferença entre monotonia e equanimidade. A diferença é que ser equânime não é deixar de desfrutar os prazeres da vida, ser equânime é desfrutar sem se apegar ou criar aversão.
Por exemplo: em um domingo lindo de sol, desde o início do dia já estou trabalhando a idéia de que o lindo dia também vai terminar, que o sol vai se por e a segunda-feira árdua vai chegar. Assim quando o dia acaba está tudo bem, e quando chega segunda-feira de manhã e está na hora de levantar, está tudo bem também.
Entendeu a diferença?
Assim podemos exercitar a vida e então, sofrer menos.
Agora começamos a entender que meditar não é apenas sentar com a coluna ereta. Podemos estar atentos, conscientes e em meditação a todo tempo.
Agora que você já compreendeu, se quiser, pode começar a praticar!
Que todos os seres sejam felizes!


Relacionados


Comentários

  1. Grande Claudinho!

    Muito massa o texto. Eu admiro demais o Budismo, de todas as religiões que pesquisei (que confesso não ser muitas, apenas as mais “famosas”) é a que achei mais equilibrada e coerente.

    No entanto é justamente essa idéia que você abordou no texto que eu não entendo no Budismo. Eu acredito que o mundo à nossa volta e o modo que o ser humano interage nele segue sempre a lei da ação e reação. Não consigo absorver a idéia de alguém vivendo sem reagir. Parece algo não natural.

    Talvez exista algum ponto que não estou absorvendo, mas já conversei sobre isso com algumas pessoas e nunca ninguém conseguiu me esclarecer essa idéia.

    Ou então talvez seja realmente algo de uma compreensão de extrema dificuldade, senão o Buda não teria meditado durante tanto tempo para chegar nessa conclusão, hehehe.

    Abraço!

  2. Irmao Cabelo, essa realmente eh a parte mais dificil de entender. Um dia perguntei exatamente isso para o Lama Rigdzin que mora aqui em Curitiba. A minha interpretaçao da resposta dele eh o que eu escrevi no texto, mas talvez eu nao tenha sido mto claro. Na verdade nao eh viver sem reagir, eh viver mais consciente de que as coisas tem fim, de que as coisas nao duram, de que as coisas sao impermanentes. Entende? Por exemplo: todos nos temos apegos (em graus diferentes) as nossas familias, nossos pais, nossos irmaos. Todos sabemos tambem que um dia todos vamos morrer. Se a natureza respeitar o ciclo natural, primeiro morrerao nossos avos, depois nossos pais e tios, para entao chegar a nossa hora. Se eu tenho uma relacao muito apegada com minha mae ou pai, e se nao trabalho (no decorrer da minha vida) todos os conceitos que abordei nesse texto, quando chegar o momento deles irem sofrerei muito mais. Se desde jah eu começar a trabalhar a ideia da morte, de maneira saudavel, se todos os dias eu meditar um pouco buscando compreender a impermancia das coisas materias da vida, quando esse momento chegar nao sofrerei tanto. Entende? Viver essa consciencia nao eh viver sem reagir. Pelo contrario, quando voce realmente toma essa consciencia voce vai se tornar alguem mais afetivo, mais amoroso. Por que com a consciencia da impermanencia voce nao deixarah para amanha, uma palavra de amor e um gesto de carinho, quando voce pode fazer isso agora!
    E assim podemos exercitar para tudo na vida.
    Esclareceu um pouco mais amigo Cabelo? Se nao, coloque mais questoes por aqui, vamos discutir juntos!
    Alguem mais tem alguma ideia?
    Abraco de paz em cada um de vcs!

  3. Fala Claudinho!

    Valeu pela explicação, acho que entendi um pouco mais a idéia. Muito interessante mesmo.

    Vou pensar sobre isso.

    Abraço!

  4. Rodrigueira says:

    Fala Cacau!

    Cara, muito bacana o texto mesmo, lembro que já discutimos este assunto nos nossos memoráveis almoços do dia a dia. Não lembro porém de termos conceituado a situação como Equanime. Gostei que no texto você procura conceituar já buscando as indagações que naturalmente surgiriam em qualquer ser humano, desta forma fica bem didático e gostoso de ler. O texto é seu? Está muito bem escrito! Aliás, como diria a mãe, modéstia a parte, esta família escreve muito bem! hehe. Pra concluir, acho que prático a equanimidade todos os dias, apesar de não ser adepto à meditação. A dica vale para todos mesmo! Namastê mano.

  5. rodrigueraaaaaaaa, q alegria te ver por aki :) )) – sim sim – nossas conversas homéricas no almoço sao um presente divino – obrigado!
    po caraaa, claro q o texto é meu – somos da mesma familia – vc sabe – hahahahaha – a mae tb sabe – hahahahaha – qndo o texto nao eh meu eu sempre coloco os créditos do autor ;)
    eh verdade – eu tentei fazer ele bem didatico – alias esse eh meu estilo de escrita aki no blog – assim eh melhor – palavras simples e claras – o objetivo eh q todos entendam e deem suas opinioes, assim como vcs tao fazendo e eu to adorando :) isso eh blog de verdade ;)
    q legal q vc pratica a equanimidade, na verdade eu sei q vc eh um ser espiritualizado, mesmo sem frequentar nehuma religiao :)
    te amo irmao

Deixe um comentário


Siga-me com: